Confesso uma coisa: quando alguém me perguntava sobre destinos de natureza no Brasil, minha resposta quase sempre era a mesma: Jalapão, Lençóis Maranhenses ou Fernando de Noronha. A Chapada das Mesas dificilmente aparecia na conversa.
Até a semana passada.
Hoje posso dizer, sem exagero, que ela entrou para a lista dos lugares mais surpreendentes que já conheci.
E não foi apenas pela beleza das paisagens. O que mais me marcou foi a sensação de descobrir um Brasil que ainda permanece desconhecido para muita gente. Daqueles lugares que fazem você olhar ao redor e pensar: “Como eu nunca ouvi falar disso antes?”





O primeiro contato já foi diferente
Nossa viagem começou de forma tranquila. No fim da tarde, embarcamos em um passeio pelo Rio Tocantins. O rio é imenso, calmo e silencioso, criando o cenário perfeito para desacelerar antes mesmo de começar a explorar a Chapada.
A primeira parada foi na Pedra Encantada. Não havia filas, pressa ou qualquer sensação de corrida contra o relógio. Apenas a expectativa de uma viagem que prometia muito.
E ela cumpriu a promessa! O pôr do sol visto do barco encerrou o dia de uma forma difícil de explicar. Existem lugares que você fotografa. Outros, você simplesmente contempla. Ali, fiz questão de fazer os dois.

O segundo dia foi quando a Chapada começou a mostrar quem ela realmente é
Achei que já tinha visto água azul em muitos lugares, mas não tinha.
O Complexo Poço Azul impressiona logo na chegada, mas foi a Cachoeira Santa Bárbara que realmente me conquistou.
A cor da água parece editada. Dá a impressão de que alguém aumentou a saturação da imagem. Só que não. Ela é exatamente daquele jeito: cristalina, transparente e incrivelmente azul.
Depois seguimos para o Poço Azul e para o Encanto Azul. Foi nesse momento que comecei a perceber uma característica muito particular da Chapada das Mesas: cada cachoeira tem personalidade própria.
Nenhuma parece uma repetição da anterior.
O lugar que mais me emocionou
No terceiro dia visitamos o Complexo Pedra Caída. E preciso dizer: a Cachoeira do Santuário está entre as experiências mais bonitas que já vivi.
Para chegar até ela, percorremos uma pequena trilha pelo cânion. A cada curva, a expectativa aumenta, até que, de repente, ela aparece. São quase cinquenta metros de queda d’água cercados por um enorme paredão de pedra.
O ambiente muda completamente, a temperatura fica mais baixa, o som da água domina tudo. Você simplesmente para e observa.
Nem sempre uma fotografia consegue transmitir a grandiosidade de um lugar, e ali foi exatamente isso que aconteceu. Entendi por que tanta gente fala dessa cachoeira.
Ainda no mesmo dia conhecemos a Cachoeira da Caverna e a Cachoeira do Capelão, duas paisagens completamente diferentes entre si e igualmente impressionantes.



O quarto dia mostrou a força da natureza
Entramos no Parque Nacional da Chapada das Mesas para conhecer a Cachoeira São Romão.
Ela impressiona pela força! A quantidade de água é enorme, e você sente sua vibração antes mesmo de chegar perto. Pouco depois seguimos para a Cachoeira do Prata, e o cenário muda, o clima muda: a experiência muda.
É curioso perceber como poucos quilômetros são suficientes para transformar completamente a paisagem.

Um nascer do sol que faz qualquer madrugada valer a pena
No último dia acordamos antes do amanhecer para visitar o Portal da Chapada. Foi uma das melhores decisões da viagem!
Ver os primeiros raios de sol iluminando lentamente toda aquela paisagem é daqueles momentos que ficam gravados na memória.
Depois seguimos para a Praia do Paredão, encerrando a viagem da melhor maneira possível: sem correria, sem roteiro apertado e apenas aproveitando cada instante.


Vale a pena?
Muito! Mas existe um detalhe importante: a Chapada das Mesas não é um destino para quem busca apenas belas fotografias; ela é para quem gosta de viver a natureza.
Entrar na água, sentir a força das cachoeiras, ouvir o silêncio, respirar fundo.
Foi exatamente isso que encontrei por lá! Talvez essa tenha sido a maior surpresa da viagem, pois eu fui esperando conhecer um destino bonito, e voltei querendo recomendá-lo para todo mundo.
Existem lugares que a gente visita: e existem lugares que permanecem com a gente por muito tempo. A Chapada das Mesas, definitivamente, entrou para essa segunda lista.
Uma última dica
Se você pretende conhecer a Chapada das Mesas, faça isso sem pressa! Reserve alguns dias para explorar cada lugar com calma, converse com os guias, entre nas cachoeiras, aproveite os mirantes, e permita que a viagem aconteça no ritmo da natureza.
Tenho certeza de que, quando voltar para casa, você entenderá exatamente por que este destino me surpreendeu tanto.
Até a próxima viagem, viajantes!
Emerson Damario
Fundador da Polaris Turismo
