Entre vilarejos autênticos, tavernas à beira-mar e paisagens que parecem ter parado no tempo, existe uma Grécia mais silenciosa, intensa e surpreendente. Um destino onde a cultura, os sabores e o ritmo da vida revelam a verdadeira alma grega, longe das multidões e perto das experiências que ficam para sempre.
A Grécia costuma habitar o imaginário coletivo como um cartão-postal de casinhas brancas, cúpulas azuis e pores do sol cinematográficos, porém existe uma Grécia que vai muito além das imagens clássicas estampadas nas redes sociais.
Existe uma Grécia mais profunda, intensa e verdadeira. Um país onde cada estrada parece atravessar capítulos inteiros da história da humanidade, onde ruínas antigas não são apenas monumentos, mas testemunhas silenciosas de ideias que moldaram o mundo ocidental.
Entre montanhas, oliveiras, tavernas familiares e cidades carregadas de significado histórico e espiritual, a Grécia revela uma atmosfera difícil de explicar em palavras. É um destino que convida tanto à contemplação quanto à descoberta. Ao mesmo tempo em que desacelera o olhar, desperta a curiosidade. E talvez seja, justamente, aí que mora seu maior encanto.
Gustavo Damario, sócio da Polaris Turismo, viajou para Grécia recentemente, e nesta entrevista ele nos faz mergulhar em uma visão mais autêntica do país, explorando a Grécia continental, suas heranças culturais, sua espiritualidade, suas paisagens e a sensação quase inexplicável de caminhar por terras onde nasceram filósofos, impérios e civilizações inteiras.
Uma viagem que ultrapassa o turismo tradicional e se transforma em experiência, reflexão e conexão.
Grécia Além do Óbvio: Descubra a Verdadeira Essência do País

-
Quando pensamos em Grécia, imagens clássicas nos vêm em mente, mas pela sua experiência no país: o que, geralmente, surpreende quem decide explorar o país com mais profundidade? Como você definiria a “verdadeira Grécia” para alguém que quer fugir dos roteiros mais turísticos?
Eu diria que a verdadeira Grécia não está nas ilhas mais famosas, como Santorini ou Mykonos. Claro, não tenho nada contra quem decide visitar esses lugares, eles realmente são lindos, mas essas ilhas acabaram se tornando destinos extremamente turísticos, quase como cenários preparados apenas para estrangeiros. Os custos são mais elevados, há muitas festas e a experiência tende a ser muito mais movimentada.
Quando falamos da verdadeira Grécia, acredito que estamos falando da cultura local, da história e da essência do país.
Como apaixonado por história, não poderia deixar de dizer que, para mim, a verdadeira Grécia está na Grécia continental. O Peloponeso, por exemplo, carrega histórias de uma civilização que moldou a forma como vivemos até hoje. É impossível não se impressionar ao visitar o berço da civilização ocidental.
Cidades como Atenas, Corinto e Tessalônica ultrapassam a ideia de um turismo convencional: elas são marcos fundamentais da história da humanidade. Você percebe que não está apenas visitando cidades antigas, mas lugares onde nasceram ideias, filosofias e ensinamentos que atravessaram milênios.
Ali você sente a presença de nomes que estudamos até hoje: Sócrates, Platão, Aristóteles, Homero, Péricles, Agamenon, o rei Leônidas de Esparta e tantos outros que marcaram a história da humanidade.
E para quem prefere ilhas, sugiro Creta, uma ilha fantástica, muito mais ligada à cultura local e à vida real dos gregos. Lá você encontra pessoas simples, ligadas ao mar, à pesca e às tradições que atravessam gerações.
Meu maior conselho é: alugue um carro e faça uma road trip pela Grécia.
Passe pelas estradas cercadas de oliveiras e laranjais, pare em pequenas cidades, converse com os moradores locais e experimente os restaurantes familiares. É assim que você realmente vive a experiência grega.

-
Você explorou a Grécia continental que, muitas vezes, fica à sombra das ilhas no imaginário coletivo. Na sua percepção, o que o continente revela sobre a cultura grega que talvez passasse despercebido em um roteiro mais voltado ao litoral?
Como eu disse anteriormente, a Grécia continental é o verdadeiro berço da civilização grega. Foi dali que surgiram alguns dos maiores pensadores da história, como Sócrates, Platão, Aristóteles e Péricles.
O que mais me impressionou foi perceber que, praticamente, cada cidade possui alguma história para contar. Sempre existe uma ruína, um templo, uma antiga fortaleza ou algum vestígio de civilizações que passaram por ali há milhares de anos.
E as ruínas gregas não são simplesmente um monte de “pedras antigas”. Muitas delas são construções impressionantes, com uma riqueza artística e arquitetônica difícil até de imaginar para a época em que foram feitas.
A Grécia continental abriga cidades como Atenas, Tessalônica, Corinto, Esparta, Nafplio e Larissa — cidades que apenas ao ouvirmos o nome já despertam algo dentro de nós, porque fazem parte da base da história de toda a humanidade.
Mesmo quem nunca estudou profundamente sobre história reconhece esses lugares, justamente, pela importância que tiveram para o mundo ocidental.
E além da história antiga existe também uma conexão espiritual muito forte. Para quem é cristão — ou mesmo para quem simpatiza com a fé cristã — a Grécia possui um papel fundamental no nascimento do cristianismo. O próprio apóstolo Paulo esteve ali, pregando e ajudando a formar algumas das primeiras comunidades cristãs da história, principalmente em cidades como Corinto e Tessalônica.
E, talvez, um dos lugares mais impressionantes de toda essa herança espiritual seja o Monte Athos. Um local único no mundo, onde monges ortodoxos vivem até hoje praticamente da mesma forma que os cristãos antigos viviam há séculos, dedicando suas vidas à oração, ao estudo e à preservação da fé.
Por isso, conhecer a Grécia continental não é apenas uma experiência cultural ou histórica. Em muitos momentos, ela também se torna uma experiência espiritual.
E além de toda essa profundidade histórica e religiosa, existe também a atmosfera única do continente. Lugares como Meteora fazem você sentir que está diante de algo muito maior do que apenas um ponto turístico.
As ilhas têm sua beleza e importância cultural, claro, mas é no continente que você sente com mais intensidade onde a verdadeira Grécia antiga aconteceu.

-
Para você, qual é o ritmo ideal de uma viagem pela Grécia: contemplativo, explorador ou uma mistura dos dois?
Eu diria que a Grécia desperta o melhor dos dois mundos.
Com certeza os gregos nos ensinam a levar a vida de uma forma mais tranquila. Existe uma valorização muito grande dos pequenos momentos, das boas conversas, das refeições sem pressa e da contemplação das paisagens.
Para quem vive em uma grande metrópole, como eu, isso acaba sendo quase uma lição de vida.
Ao mesmo tempo, a Grécia também desperta nosso lado explorador. Muitos castelos, fortalezas e sítios históricos ficam em regiões montanhosas e mais remotas, exigindo estrada, paciência e curiosidade para serem descobertos.
E é justamente isso que torna tudo tão especial! Você explora lugares carregados de história enquanto contempla algumas das paisagens mais bonitas do Mediterrâneo.
Até mesmo o trajeto faz parte da experiência. Dirigir pelas estradas gregas cercadas de oliveiras e laranjais, parar em tavernas locais, experimentar um bom tzatziki* e aproveitar cada parada sem pressa transforma completamente a viagem.
A Grécia ensina que explorar também pode ser uma forma de contemplar.
*Tzatziki é um dos pratos mais clássicos da culinária grega. É um molho/pasta gelada feito principalmente com iogurte grego, pepino ralado, alho, azeite e ervas como dill (endro) ou hortelã. Algumas versões levam limão ou vinagre para dar mais acidez.
-
Se tivesse que descrever a Grécia em uma sensação — não um lugar — qual seria e por quê?
Eu diria que a palavra seria plenitude.
A Grécia é uma mistura perfeita de aprendizagem intelectual, paz, beleza natural e imersão cultural. É um lugar que faz você desacelerar, contemplar mais a vida e ao mesmo tempo refletir sobre tudo aquilo que construiu o mundo em que vivemos hoje.
Existe algo muito especial em caminhar por lugares onde nasceram ideias, filosofias e histórias que atravessaram milhares de anos. Ao mesmo tempo, a simplicidade da vida grega, das pequenas vilas, das pessoas e das paisagens cria uma sensação constante de tranquilidade.
A Grécia não é apenas uma viagem bonita. Ela faz você sentir que está conectado a algo muito maior do que você mesmo.
